Anvisa aprova medicamento injetável para prevenção do HIV
Por Administrador
Publicado em 12/01/2026 19:52
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Anvisa aprova medicamento injetável para prevenção do HIV

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do lenacapavir injetável, de aplicação anual, para a prevenção do HIV. O medicamento passa a integrar as opções de profilaxia pré-exposição (PrEP), oferecendo uma alternativa de longa duração às pílulas orais.

De acordo com a Anvisa, o lenacapavir é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 kg, que apresentem risco de infecção pelo HIV. Antes do início do uso, é obrigatório que o paciente teste negativo para o vírus.

Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou novas diretrizes recomendando o lenacapavir como opção adicional de PrEP. A entidade classificou o medicamento como a melhor alternativa disponível após uma vacina contra o HIV. Estudos clínicos reforçam essa avaliação: em 2024, uma pesquisa publicada no New England Journal of Medicine (NEJM) apontou eficácia geral de 100% na prevenção do HIV em mulheres. Em outro estudo do mesmo ano, com 3.265 pessoas de diferentes gêneros, apenas dois participantes que utilizaram o medicamento contraíram o vírus.

A aprovação da Anvisa segue a recomendação da OMS para o uso do lenacapavir duas vezes ao ano na prevenção do HIV. “Embora ainda não tenhamos uma vacina contra o HIV, o lenacapavir é a melhor alternativa: um antirretroviral de longa ação que, em estudos clínicos, preveniu quase todas as infecções entre pessoas em risco”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

As novas diretrizes surgem em um momento considerado crítico pela OMS, diante da estagnação dos esforços globais de prevenção. Somente no ano passado, foram registradas 1,3 milhão de novas infecções por HIV no mundo. Além do medicamento injetável, a organização também passou a recomendar o uso ampliado de testes rápidos para diagnóstico, substituindo procedimentos mais complexos e onerosos.

Dados apresentados na 25ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada em Munique, na Alemanha, em 2024, e também publicados no NEJM, mostraram que o lenacapavir teve eficácia de 100% na prevenção do HIV-1, responsável pela grande maioria das infecções globais. O estudo acompanhou mais de 2 mil mulheres cisgênero em Uganda e na África do Sul e foi interrompido precocemente devido aos resultados altamente positivos.

Diante desses achados, o Unaids — Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids — divulgou comunicado destacando que o medicamento representa uma esperança para acelerar o fim da Aids como ameaça à saúde pública até 2030, meta prevista na Agenda 2030 da ONU. No entanto, a agência ressalta que o impacto global dependerá do acesso ao tratamento, atualmente estimado em cerca de US$ 40 mil por pessoa ao ano.

 

“Garantir o acesso global equitativo a novas tecnologias pode ajudar o mundo a se colocar no caminho para acabar com a Aids como uma ameaça à saúde pública até 2030”, afirmou Winnie Byanyima, diretora executiva do Unaids.

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